terça-feira, 17 de novembro de 2009

Palestra discute emoções no jornalismo

O jornalista pode ou não expressar emoção nas reportagens que realiza e fatos que cobre?

Esse tema foi amplamente discutido na noite de quinta feira, 12 de novembro e lotou o Auditório do Campus 2, na Universidade Católica de Pelotas.

O debate contou com a presença das jornalistas Dalcira de Oliveira e Maíra Lessa, da RBSTV, do coordenador de produção do Diário Popular Jarbas Tomaschewski, o repórter policial da Rádio Nativa Juliano Silva e o fotógrafo da Zero Hora em Pelotas, Nauro Jr.

A coordenadora do telejornalismo da RBSTV Pelotas Dalcira de Oliveira disse que não há como não se emocionar diante de tragédias, pois, segundo ela, antes do profissional, está ali o ser humano. “Na hora em que se desliga a câmera, o ser humano desaba”, afirma a jornalista.

Sua colega Maíra Lessa, repórter da RBSTV, citou situações em que teve que cobrir velórios, tragédias e mesmo o acidente com o ônibus do Grêmio Esportivo Brasil, em janeiro deste ano, e que ninguém queria dar entrevista, o ambiente era de comoção. “Não consigo segurar a emoção, mas o trabalho deve ser feito”.

O repórter policial Juliano Silva falou sobre suas experiências, citou coberturas que realizou de casos policiais famosos na cidade e falou da reflexão que fazia após o término do trabalho, tentando entender as reações das pessoas que entrevistava, na sua maioria pessoas em situação limítrofe.

Com um jeito despojado, o fotógrafo da Zero Hora Nauro Jr. dividiu com os estudantes de comunicação suas coberturas fotográficas mais expressivas. O acidente com o ônibus do Xavante, o incêndio no Taim, e, segundo ele, a pauta mais importante da sua vida, o nascimento da sua filha, Sofia. O fotógrafo afirmou que é complicado deixar a emoção de lado quando, muitas vezes, o profissional lida com situações trágicas ou emocionantes.

O coordenador de produção do jornal pelotense Diário Popular Jarbas Tomaschewski, corroborando a fala da colega Maíra Lessa, disse que ainda que seja necessário saber e conseguir separar a emoção diante de um fato peculiar, o trabalho deve ser feito em primeiro lugar.

O jornalista citou a reportagem realizada por uma repórter do Diário Popular na ocasião do acidente com o ônibus do Grêmio Esportivo Brasil e afirmou que foi uma das melhores que ele já leu. Segundo ele, a tragédia permite ao comunicador desempenhar um de seus melhores papéis.

Fotos: Laura Trápaga

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